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O AFEGANISTÃO E OS MILITARES PORTUGUESES

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No momento em que a queda de Cabul às mãos dos Talibãs e os comentários sobre o papel dos americanos e da NATO (pouco o de Portugal, curiosamente, parece que nem lá estivemos!) e nchem o espaço mediático, convém começar por lembrar o óbvio por vezes esquecido: os militares não partem para a guerra por vontade própria, mesmo os voluntários. Partem porque o seu governo assim o determina. Portugal nunca teve qualquer interesse directo no Afeganistão, como não tem por exemplo na República Centro Africana ou em vários outros locais onde serviram e servem militares portugueses. Os sucessivos governos portugueses determinam intervenções militares a pedido de outros países e organizações, e nestes casos ficam as nossas forças integradas em forças multinacionais. Os militares portugueses empenhados nestas missões – com excepções muito pontuais de especialistas, por exemplo médicos e enfermeiros – são voluntários, dos Quadros Permanentes ou em Regime de Contrato. Quando empenhados o que os...

REVER A HISTÓRIA, O ASSALTO FINAL JÁ COMEÇOU?

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Está neste momento em curso uma “campanha” de revisão da História da segunda metade do Século XX português. Mais cedo do que muitos possam julgar isto vai acabar por “bater” nas Forças Armadas como instituição e em muitos veteranos da Guerra do Ultramar como indivíduos. Porquê agora?  - A conjuntura é favorável em termos de governo – socialistas com apoio pontual ora do Partido Comunista Português ora do Bloco de Esquerda e início das longas comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, certamente com generoso orçamento;  - Talvez também pelos seus principais dinamizadores sentirem o tempo a fugir, afinal de contas a ordem natural da vida é o que é, para todos, nada a fazer, e querem deixar a “sua história” consolidada para a eternidade; - E, certamente não menos, a autojustificação dos que foram actores menores na descolonização, os principais já nos deixaram e talvez por isso o assunto tem sido adiado desde então. Criminalizando-se agora e amplificando os actos dos portugueses ...

O ADEUS AO GRIFO EM 1979

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  Em 05 de Julho de 1979 teve lugar aquela que foi, até então, a maior alteração na heráldica das Tropas Paraquedistas desde a sua fundação e acompanhou gerações de paraquedistas nos anos 80 e 90 do século XX. Um autêntico "adeus ao Grifo"!  Passam agora 42 anos sobre a cerimónia que formalizou esta mudança, em Tancos na Base Escola de Tropas Paraquedistas do Corpo de Tropas Paraquedistas da Força Aérea Portuguesa: a entrega da nova simbologia heráldica às unidades do CTP. Criado por Decreto-Lei do Conselho da Revolução em 5 de Julho de 1975, o Corpo de Tropas Paraquedistas, nascia legalmente neste mesmo dia em que o Regimento de Caçadores Paraquedistas era extinto, passam hoje 46 anos.  Para a nova organização, com comando em Lisboa e unidades em Tancos, Lisboa e São Jacinto, foi decidido criar nova heráldica – até porque, entretanto, a heráldica da Força Aérea que vinha de 1960 também tinha sido alterada (1978) – e a “figura” que tinha acompanhado os paraquedistas d...

BOINAS: TROPAS ESPECIAIS, MANTENHAM A ESPERANÇA!

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  Nos EUA o inicio do uso oficial da boina verde pelas Special Forces é motivo de monumento em Fort Bragg. John Fitzgerald Kennedy, Comandante Supremo das Forças Armadas, voltou a dar a boina verde às US Army Special Forces e os "Green Berets" não o esquecem!  Paraquedistas, Operações Especiais, Comandos, tenham esperança! Pode ser que um dia, mais perto que longe, haja um Comandante do Exército ou mesmo um Comandante Supremo das Forças Armadas que volte a olhar para vocês e faça justiça! Há muita gente que desvaloriza o assunto “boinas”, o qual desde Outubro de 2019 começou a assolar o Exército. Já nem falo na sociedade civil nem nos aparelhos partidários que têm assento na Assembleia da República, mas mesmo no Exército. Afinal de contas quem ficou prejudicado, desmotivado, foram "apenas" os militares das unidades de elite, uma minoria no contexto do Ramo terrestre. A Arma de Cavalaria viu a sua pretensão aceite pelo Chefe do Estado-Maior do Exército, José Nunes ...

A INFLUÊNCIA DO “SIMPLES” SOLDADO NA GRANDE POLÍTICA – IFOR/BÓSNIA 1996.

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  O destacamento avançado dos paraquedistas portugueses chegou a Split em 16 de Janeiro de 1996, e no dia seguinte (na foto) estavam em Vogošća - Sarajevo - em trânsito para Rogatica, onde ficaria instalado o Posto de Comando do 2.º Batalhão de Infantaria Aerotransportado .  Hoje vou dar palavra a algumas das pessoas que maiores responsabilidades tiveram no plano das decisões e no comando e controlo da missão portuguesa na Bósnia e Herzegovina em 1996. São opiniões de quem conheceu pontualmente o terreno, uns mais do que outros, mas acima de tudo de quem decidiu e teve acesso a muita informação do nível político-militar nos centros de poder nacionais e internacionais, formando opinião sobre o que significou desempenho militar no terreno. Nestes últimos 25 anos escrevi dezenas de artigos sobre as missões na Bósnia e Herzegovina, fui co-autor de livros, colaborei em programas de televisão e radio e fiz palestras sobre este assunto. Como é natural baseei-me na própria ...