OS PRESIDENTES DA REPÚBLICA E AS TROPAS PARAQUEDISTAS (artigo em curso...)
Pretendo com este texto, por ocasião do 70.º aniversário das Tropas Paraquedistas Portuguesas, fazer uma síntese da sua ligação aos Presidentes da República. É um processo em curso, não é nada fácil descortinar agora alguns factos. Em relação por exemplo às FND's, sobretudo a últimas, não sei se não faltará alguma coisa...
Aqui está o que até agora apurei, se alguém quiser ajudar (recordar a data de uma visita por exemplo) fico grato! É escrever para: info.operacional.prt@gmail.com
Marechal Francisco Higino Craveiro
Lopes (1894-1964, Presidente entre 1951 e 1958). Procedeu à entrega do primeiro Guião Heráldico do "Batalhão de Paraquedistas” ao seu primeiro comandante,
Capitão Martins Videira, em 14 de agosto de 1955 na apresentação à Nação dos
boinas verdes portugueses. Assinou a legislação
que criou em 1956 o Batalhão de Caçadores Paraquedistas – Decretos n.ºs 40394 e
40395 - na qual, pela primeira vez nas forças armadas portuguesas era criada
uma boina como cobertura de cabeça, a boina de cor verde. Em 1 de Julho de 1956, Dia das Forças Aéreas, entrega ao comandante do BCP, em Lisboa, o Estandarte Nacional da sua unidade.
Almirante Américo Deus
Rodrigues Tomás (1894-1987, Presidente de 1958 a 1974). Visitou em Tancos o
ainda Batalhão de Caçadores Paraquedistas, depois em 1968 inaugurou o Monumento
aos Mortos em Combate no já Regimento de Caçadores Paraquedistas (RCP). Assinou
o Decreto-Lei n.º 42073 de 1958 que coloca o BCP a depender para todos os
efeitos apenas da Força Aérea e legislação relativa às gratificações de serviço
aéreo. Em 1968 impõe a Cruz de Guerra de Primeira Classe, no Estandarte Nacional do Batalhão de Caçadores Paraquedistas n.º 12 na cerimónia do 10 de Junho em Lisboa. Um oficial paraquedista desempenhou as funções de seu Ajudante
de Campo;
Marechal António Sebastião Ribeiro
de Spínola (1910-1996, Presidente de 1974 – entre Maio e Setembro). Quando
governador e comandante-chefe das Forças Armadas da Guiné Portuguesa, teve forças
paraquedistas sob o seu comando, no pós-25 de Abril de 1974, nomeou o
comandante do RCP para o Conselho de Estado, assinou o Decreto-Lei n.º 211/74
de 21 de Maio que reorganizava as Tropas Paraquedista no Ultramar, criando mais
unidades em Angola e Moçambique (não chegou a ser implementada) e em 11 de Março
de 1974 refugiou-se no RCP, antes da sua fuga para Espanha. Anos depois de ter
deixado de ser Presidente, chegou a estar presente na Base Escola de Tropas
Paraquedistas a convite de antigos paraquedistas combatentes na Guiné
Portuguesa. Escreveu um texto – “Acto de Justiça” – para o livro História
das Tropas Paraquedistas, Batalhão de Caçadores Paraquedistas n.º 12, lançado
em 1987. Um oficial paraquedista desempenhou as funções de seu Ajudante de
Campo.
Marechal Francisco da Costa
Gomes (1914-2001, Presidente de 1974 a 1976). Quando Comandante-Chefe da
Região Militar de Angola (do Exército) desenvolve operações que contam como
forte empenhamento do Batalhão de Caçadores Paraquedistas n.º 21 da 2.ª Região
Aérea. No pós-25 de Abril de 1974, quando preside ao Conselho da Revolução sufraga
a nomeação do Comandante do Regimento de Caçadores Paraquedistas a seguir ao 11
de Março. Assina a legislação que extingue o RCP e cria o Corpo de Tropas Paraquedistas
(Decreto-Lei n.º 350/75). Desconheço se alguma vez visitou o RCP.
General António Ramalho Eanes
(1935, Presidente de 1976 a 1986). Quando em 1975 foi responsável operacional
do chamado “Grupo dos Nove”, teve papel preponderante na contenção dos
golpistas de esquerda – entre os quais paraquedistas – mas também na ligação aos
paraquedistas que se mantiveram fiéis a este grupo de militares moderados e
vieram a reconstruir as Tropas Paraquedistas. Esteve presente na Base Escola de
Tropas Paraquedistas em 31 de Janeiro de 1984 para impor o colar de Oficial da Ordem
Militar da Torre e Espada ao Brigadeiro Paraquedista Heitor Almendra, comandante
do CTP e presidir à Cerimónia de Transmissão de Comando para o Brigadeiro
Paraquedista François Martins. No ano seguinte, a 6 de Julho de 1985 – nas comemorações
desse ano do Dia do CTP - voltou à Base Escola de Tropas Paraquedistas para impor
no Estandarte Nacional do CTP as insígnias de Membro Honorário da Ordem Militar
da Torre e Espada do Valor Lealdade e Mérito. Visitou a Base Operacional de Tropas
Paraquedistas n.º 2 em São Jacinto, desconheço se visitou a BOTP 1 em Monsanto.
Oficiais paraquedistas desempenharam as funções de seus Ajudantes de Campo.
Mário Alberto Nobre Lopes
Soares (1924-2017, Presidente de 1986 a 1996). Não concordou com a transferência
das Tropas Paraquedistas da Força Aérea para o Exército, mas presidiu na BETP à cerimónia de 30DEZ1993 – extinção do Corpo de Tropas Paraquedistas – na parte
da manhã, na qual condecorou o CTP com o grau de Membro Honorário da Ordem
Militar de Aviz. A cerimónia de activação do Comando das Tropas
Aerotransportadas e Brigada Aerotransportada Independente teve lugar nesse dia
na parte da tarde, presidida pelo Ministro da Defesa Nacional, Dr. Fernando Nogueira.
Mário Soares assinou o Decreto-Lei n.º 27/94 que extinguiu o CTP e procedeu à
activação do CTAT/BAI e o Decreto-Lei n.º 180/94 que regula o suplemento do
serviço aerotransportado. Em 24 de Julho de 1994 presidiu às cerimónias comemorativas
do Dia do Exército, no Comando das Tropas Aerotransportadas, estando presentes
António de Spínola e Ramalho Eanes. Em 15 de Janeiro de 1996 procedeu, na Área
Militar de São Jacinto, à entrega do Estandarte Nacional ao 2.º Batalhão de
Infantaria Aerotransportado que iria participar na Missão das Forças Armadas
Portuguesas na IFOR/Bósnia 1996.
Jorge Fernando Branco de
Sampaio (1939-2021, Presidente de 1996 a 2006). Visitou a Missão das Forças
Armadas Portuguesas na IFOR/Bósnia 1996, maioritariamente compostas por
paraquedistas, no dia 8 de Junho de 1996. Em 14 de Fevereiro de 1997, no
Comando das Tropas Aerotransportadas impôs a Medalha de Ouro de Serviços Distintos
no Estandarte Nacional da Brigada Aerotransportada Independente e condecorou
vários militares. Assinou o Decreto-Lei n.º 61/2006 de 21 de Março, Lei Orgânica
do Exército, que extingue o CTAT/BAI e cria a Brigada de Reação Rápida.
Aníbal António Cavaco Silva
(1939, Presidente de 2006 a 2016). Em 2006 a primeira visita ao Exército teve
lugar no Comando da Brigada de Reação Rápida, em Tancos. Em 2008 esteve em São Jacinto para visitar o exercício
da “Felino” da CPLP que ali decorreu.
Marcelo Nuno Duarte Rebelo de
Sousa (1948, Presidente de 2016 a 2026). Visitou o Regimento de
Paraquedistas em 4 de Setembro de 2017. Em 2018 visitou o 1.º Batalhão de Infantaria
Paraquedista (1.º BIPara) na República Centro Africana e em 2019 esteve em
Lisboa na recepção ao 2.º Batalhão de Infantaria Paraquedista (2BIPara). Em 2026 voltou à
RCA onde estava em missão novamente o 1.º BIPara. Em Dezembro de 2019, de
visita às forças portuguesas em Cabul, inaugurou um momento em memória dos dois
portugueses ali falecidos, um, em 2007, o Soldado Paraquedista Oliveira Pedrosa.
António José Martins Seguro
(1962, Presidente desde 2026).
Miguel Silva Machado, 09MAI2026

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