NÃO OS ESQUECEMOS! Em PESO DA RÉGUA e MOGADOURO
| Monumento aos Combatentes em Mogadouro do escultor Hélder de Carvalho |
Hoje, 24 de Janeiro de 2026, em Peso da Régua e Mogadouro, os boinas verdes caídos na Bósnia e Herzegovina ao serviço de Portugal, foram lembrados nesta data em que se assinalaram 30 anos da sua morte. Familiares dos Primeiros-Cabos Paraquedistas Rui Manuel Reis Tavares e Alcino José Lázaro Mouta e muitos camaradas desses tempos da primeira missão do Exército naquele país europeu, prestaram-lhes sentida homenagem
Pelas 10H30 da manhã, no
cemitério de Peso da Régua, onde está sepultado Rui Tavares, presentes os seus pais, filho,
nora e neto, amigos da Família, os pais e irmãs de Alcino Mouta e 80 camaradas de armas, a maioria boinas verdes veteranos da missão na Bósnia, alguns com as
suas famílias. Em representação do Brigadeiro General
Comandante da Brigada de Reação Rápida, em ambas as cerimónias deste dia, presente
o Capitão Paraquedista Luís Lopes do 2.º Batalhão de Infantaria Paraquedista /
Regimento de Infantaria n.º 10. Presente também uma delegação da Associação de
Paraquedistas de Vila Real, Trás-os-Montes e Alto Douro, com guião.
Cerimónia religiosa de
elevado valor simbólico, oficiada pelo Pároco de Peso da Régua, incluiu além das
orações e leituras, a deposição de uma coroa de flores na campa do Rui.
Encerrou esta romagem o então 2.º Comandante do Destacamento de Apoio e
Serviços a que pertencia, Tenente-Coronel Paraquedista José Barbosa, que lhe
dirigiu e às famílias sentidas palavras de apreço e memória. A “balada dos Boinas
Verdes” e o “grito do paraquedista” fecharam a cerimónia.
Pelas 15H00, já em
Mogadouro, foi homenageado o Alcino Mouta, na presença dos seus pais e irmãs e
também dos familiares de Rui Tavares, em cerimónia em tudo semelhante à de Peso
da Régua e igualmente comovente. Depois da intervenção do Pároco de Mogadouro e
da deposição da coroa de flores, foi entoada a “balada dos Boina Verdes” e lançado
o “grito do Paraquedista”. Dirigiu-se a todos os presentes a Helena Mouta, irmã
do Alcino, um doloroso e emocionadíssimo momento, o qual, com a sua prévia
autorização, aqui transcrevo. Pela força e significado parece-me uma síntese destas duas
romagens de memória, melhor que qualquer outra coisa que aqui pudesses escrever:
«Estou imensamente grata
por estarem hoje aqui presentes e nunca terem esquecido o meu irmão. A vossa
presença, passados 30 anos, é a maior prova de que a sua memória continua viva
e de que a marca que deixou em cada um de vós foi profunda e verdadeira.
A dor da perda nunca
desaparece por completo, mas o tempo ensina-nos a transformá-la em saudade
serena e em gratidão. Gratidão pelo privilégio de o termos tido nas nossas
vidas, gratidão pelos momentos partilhados e gratidão por saber que o seu
legado permanece vivo através de cada um de vós que está qui hoje presente.
A todos os camaradas e
amigos que nunca esqueceram, deixo o meu mais profundo agradecimento. O vosso
carinho, a vossa fidelidade à sua memória e a vossa presença nesta cerimónia
são um conforto imenso para mim e para a minha família. Mostram-nos que ele não
foi esquecido e que continua a ser lembrado com respeito, admiração e afecto.
Enquanto houver quem o
recorde com carinho, ele continuará vivo entre nós».
Termino este pequeno contributo
para a preservação da memória dos paraquedistas mortos ao serviço de Portugal, referindo
a presença nesta cerimónia de Mogadouro de elementos da Associação Paraquedista
Ordem dos Grifos 63; e uma mais que justa referência ao organizador destas duas
romagens de hoje: Aquilino Rodrigues. Ferido gravemente no mesmo dia em que os
seus camaradas (e um militar italiano) faleceram, tem sido ao longo dos anos incansável
para manter o contacto com as Famílias enlutadas em 1996. Sem dúvidas nem
hesitações. Já tinha organizado anteriormente semelhante romagem – há 10 anos –
e este ano novamente o fez, aliás com bastante maior aderência.
Permitam-me uma palavra
pessoal de despedida depois deste dia repleto de emoções, cada vez tenho mais
orgulho em ter conseguido conquistar a boina verde e poder dizer que pertenço a
este grupo de portugueses!
Primeiro-Cabo
Paraquedista Alcino José Lázaro Mouta... PRESENTE!
Primeiro-Cabo
Paraquedista Rui Manuel Reis Tavares... PRESENTE!
Miguel Silva Machado, 24JAN2026

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