EXPOSIÇÃO “MAIS ALTO”, SOBRE ENFERMEIRAS PARAQUEDISTAS


Está patente em Lisboa no MAAT Central – a antiga central termoelétrica junto ao rio Tejo – a exposição “Mais Alto” de Margarida Correia dedicada a Enfermeiras Paraquedistas. Sendo uma temática que muito me interessa, fui ver e gostei. Acho que vale a pena visitar. Deixo para o final uma ou outra nota critica/sugestão…construtiva, acho.

O fundamental da exposição assenta no espólio fotográfico de 10 enfermeiras paraquedistas e nas imagens recentes – uma de cada – de grande qualidade, que a autora – Margarida Correia – fez destas boinas verdes: Eugénia do Espírito Santo Sousa; Maria Arminda Santos; Rosa Serra; Maria de Lourdes Rodrigues; Giselda Pessoa; Aura Teles; Maria Emília Pereira Sousa; Maria Cristina Justino da Silva; Júlia Lemos (falecida, a foto mostra-nos a filha, Carla Sofia Lemos); Maria de Lourdes Lobão.

Acrescem algumas imagens da revista Mais Alto da Força Aérea Portuguesa, ponto de partida da investigação da autora; uma foto do Museu das Tropas Paraquedistas; duas ou três do Museu do Ar; e uma sala onde são projectados (interessantes!) slides da Maria Arminda com temática muito variada, quer no Ultramar português durante a guerra quer em viagens por vários países e pela então Metrópole e Ilhas Adjacentes.

Trata-se assim de uma exposição de fotografia na qual se podem ver muitas imagens dos álbuns pessoais das referidas enfermeiras – relativas à instrução e às suas Comissões no Ultramar – e ainda fotos actuais, de grande qualidade, de objetos então usados, das boinas verdes a paraquedas, botas ou distintivos!  

Não se espere, portanto, uma exposição “explicativa” sobre as Enfermeiras Paraquedistas (recrutamento, instrução, operações, etc), é sim uma mostra fotográfica sobre aquelas em concreto e com muito pouca informação escrita. É para ser ver e deduzir.

As fotos não estão datadas nem têm legendas, mesmo a interessante colecção da Maria Arminda – são projectas umas dezenas de fotos – também assim está. A informação escrita limita-se a uma pequena nota biográfica para cada uma das enfermeiras.

Foi esta a abordagem da autora ao assunto, nada a dizer, gostei de ver.

Sobre o texto inserido no desdobrável disponível, o mesmo publicado logo na entrada, merece-me um comentário. Julgo trata-se de um equívoco histórico. Aliás está repetido até com bastante mais veemência num artigo publicado no jornal Público em 26 de Abril de 2026. Refere-se sobre o facto de terem sido pioneiras nesta actividade, entre outras coisas, que «…expondo-se aos perigos dos teatros de guerra; mas, antes do mais, escolhendo um destino profissional inédito, com o qual arriscaram quebrar os laços que as ligavam aos costumes do recato físico, da segurança do matrimónio e das obrigações da maternidade, valores atribuídos às mulheres num regime político onde a família tradicional era pilar essencial da sociedade.» Sendo certo que aquelas características eram, à época, valorizadas pelo regime, também o eram em vários outros países e sociedades na Europa, com regimes bem diferentes. Acresce aliás que sobre estes valores o olhar não era o mesmo em 1961 e em 1974, espaço temporal no qual se realizaram cursos de enfermeiras paraquedistas. Também é certo que as enfermeiras (como todos os paraquedistas) foram voluntárias. Sabiam perfeitamente que íam para a guerra, foram para isso criadas. Aliás, se dos paraquedistas (masculinos) ainda se pode dizer – e alguns dizem-no – que tinham sempre de cumprir o serviço militar, logo que seja aqui numa tropa de élite, as enfermeiras tinham uma vontade de servir a Pátria ainda maior, podiam simplesmente não ter servido Portugal na guerra.

Bem sei que hoje é aborrecido assumir que se ia para a “tropa” para defender a Pátria e que se acreditava nisso. Nos paraquedistas, todos voluntários e todos com 99,9% de certeza que iam mesmo para a guerra e para as missões mais difíceis e perigosas – a que se juntavam os riscos dos saltos em paraquedas que eram e são reais – isso ainda era mais verdade. Aliás a propaganda dos boinas verdes até alardeava, repetidamente, que “o paraquedista é o melhor soldado da Pátria”. E só lá estava quem para isso se oferecia. Não haja a mínima dúvida da lealdade das Enfermeiras Paraquedistas aos princípios então vigentes, serviram e bem Portugal.

Miguel Silva Machado, 12MAI2026

A visita à exposição é paga, com o seguinte preçário.

Bilhetes (Residentes em Portugal); preço inteiro: €11.00; estudantes (com cartão): €8.00; seniores (65+) / desempregados: €9.00
















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